segunda-feira, 28 de setembro de 2015

SURREAL É O COTIDIANO #01

O último censo registrou 200 milhões de pobres injustiçados no grande país do futuro. (Minha mãe já está farta de me ouvir perguntar: "Já chegamos no futuro mãe? Ainda não!" Sempre ainda não.) Um especialista explica que o que acontece com o brasileiro é uma espécie de azar coletivo e, por mais que faça tudo certo, Dick Vigaristas aparecem na hora H e vai tudo por água abaixo, logo, a culpa é sempre de outrem.
Resolvi encontrar um culpado pelo meu saldo bancário, meu bicho de pé e minha dor de dente. Não encontrei espelho e achei meio brega essa moda de andar com dedo de seta a acusar todos por tudo.
Perguntei a uma distinta senhora o motivo dos ditos infortúnios de nossa república federativa e ela foi rápida como um pistoleiro do Sergio Leone: "OS POBRES!!!!" Não me convenceu. Pelas palavras dela, pobre não estuda, não se esforça e quer mais é viver na moleza e boa vida da sua imensa mansão de 2 metros quadrados sem saneamento básico. Pensei - por vezes cometo essa loucura neural - se pobre não estuda e não se esforça, não torna-se engenheiro. Se não são pobres os engenheiros responsáveis pelas obras de construção das estradas brasileiras, porque são tão ruins? Como os pobres conseguem induzir os engenheiros a cometerem tantas falhas? 
Perguntei a uma jovenzinha com ar pseudo intelectual, quem amarra nossa nação impedindo que chegue finalmente ao paraíso prometido?  "OS RICOS!!!" Disparou ela com uma certeza de dar inveja e, antes que eu movesse meio músculo para uma segunda pergunta, completou: "E O COMODISMO DA CLASSE MÉDIA!!!!" Fiz as contas: segundo os pobres, a classe média e os ricos, os cretinos que estão o f**** essa m**** toda são os pobres+a classe média+os ricos, só sobraram os miseráveis. Olho com uma culpa triste para o mendigo que dorme na marquise do prédio em frente e não é que ele tem um ar inocente? Não me parece ter votado nem em Dilma nem em Aécio, não especulou no mercado financeiro, no imobiliário e nem no banco imobiliário, pagou todos os impostos que devia e nunca vive acima das suas possibilidades. Taí, vou perguntar para ele de quem é a culpa. " A vida é assim amigo, não guardo mágoas nem procuro responsáveis pelos meus atos".  Uou!!!! Alguém devia prender esse homem, ele sabe demais.
Se eu ganhasse 1 dólar para cada vez que um brasileiro na terceira pessoa dissesse: "Sabe qual é o problema do brasileiro?"
Já vi culparem Pedro Álvares Cabral, só falta culparem Adão (os criacionistas) e Big Bang (os evolucionistas) e eu também tenho uma teoria: a culpa é dos índios que esconderam os espelhos que receberam em troca de ouro. Sem espelhos vai levar um longo tempo para encontrarmos o culpado, talvez uma selfie ajude.
Vou ligar pra minha mãe e perguntar se o futuro chega hoje que eu tenho planos de recebê-lo de banho tomado.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

POEMAS QUE O DIABO NÃO LEU #01

MAQUINA DE FAZER MALUCO

A loucura veio antes da razão
O tudo era sim, o nada era não

E sem nada para fazer 
O homem tudo quiz
Com o verbo solto
A boca diz

Não havia escolha
Já que tudo era afirmação
Cansado de tudo
Um dia disse não

Transformando cada sim
Em incontáveis negações

Enclausurou o verbo
Enquadrou o sentido
Conceituou quereres
Dificultou prazeres

Tornou-se culto
E achou bom

Esqueceu que negar é deixar de ser
O que não foi
O que não é
E o que não será

Vistam-se de cores
abandonem essa alma em luto
Dispam-se da razão

E entrem na Maquina de Fazer Maluco

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

MEDO OU PREGUIÇA

Nosso temor mais profundo não é que sejamos inadequados. Nosso temor mais profundo é que somos excessivamente poderosos. É nossa luz, e não nossa escuridão, que nos atemoriza. Perguntamo-nos: quem eu sou para ser brilhante, magnífico, talentoso e fabuloso? Na realidade, quem é para não sê-lo? Subvalorizar-se não ajuda o mundo. Não há nada de instrutivo em acovardar-se para que outras pessoas não se sintam inseguras perto de você. Esta grandeza de espírito não se encontra só em alguns de nós; está em todos. E ao permitir que nossa própria luz brilhe, de forma tácita, estamos dando às demais permissão para fazer o mesmo. Ao nos libertarmos de nosso próprio medo, automaticamente, nossa presença liberta outros”. 

Marianne Williamson

terça-feira, 9 de junho de 2015

PRODUÇÃO EM EQUIPE

 Pra fazer a Maquina que você vê a gente faz muita coisa que você não vê.
Finalizando vídeos e fotos com três braços direitos que tenho. Joana Reais, Jean Pierre Kruze e Leticia Kleemann fazem eu correr mais rápido, gritar mais alto e chegar mais longe. Não há dinheiro no mundo que pague a satisfação de ver idéias concretizarem-se ao lado de amigos queridos. Algumas imagens do trabalho criativo que ainda precisa de arestas aparadas para vir ao mundo.
O vapor dos motores da Maquina de Fazer Maluco embelezam esse cenário que estamos construindo para um futuro próximo. Obrigado amigos, sem vocês a Maquina não é.
Foto: Joana Reais

Gravação de vídeo da música Apnéia
Foto: Joana Reais

quinta-feira, 23 de abril de 2015

EXAUSTÃO

Existem algumas músicas que eu simplesmente não sei qual o gatilho disparou para terem nascido, não lembro quando estava em processo e até desconfio que plagiei do meu irmão gêmeo antes de mata-lo.  Exaustão é dessas e por isso precisei apelar para a interpretação de texto que a professora Iara tanto ressaltava a importância nos idos tempos de escola. Essa versão foi gravada para o projeto Música Em Casa na primavera de 2014 em Lisboa e agora serve para matar a saudade da casa do Conde Redondo.


Imagens: Miguel Lopes
Voz feminina: Joana Reais

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Deixa, tudo isso passa

 Nem só a literal falta de ar causa apneia. A claustrofóbica sensação de não corresponder as expectativas sociais, familiares e/ou profissionais também sufocam. "Deixa, tudo isso passa."
Essa "corrida", uma competição de ramsters na rodinha resultará em fracasso de uma forma ou de outra. Não há pódio ou paraíso, nem 30 virgens te esperando no céu. Correr na mesma direção de todos e ser o primeiro a chegar não te garante um troféu. A morte é certa, então deixa, tudo isso passa.

domingo, 6 de julho de 2014

PRÉ-APNEIA

 Apneia é um exercício de composição em que o ponto de partida é um lugar de onde nunca tinha saído. Uma tentativa de dar novo vigor a criação, evitando os lugares comuns, os cacoetes e os atalhos. Já me aproximo de algo satisfatório e devo concluir esse processo nos próximos dias. Letra pronta, agora é estruturar a canção e gravar a voz.



APNÉIA

Deixa, tudo isso passa
Não adianta acelerar relógios que o tempo não muda seu passo
Não espere de mim
Tolerar o que fez
Das covas que tu mesmo abriu
Uma serviu pra extinguir teu sorrir
Tanto exagero não te fica bem
Tira a bigorna que leva no peito
Não é sofrer que te da algum direito
Não é defeito aceitar que não deu
Diz, se não fez tudo o que deu
Se não correu sem parar
Se não gastou todo o ar
Que tem
Quem vai tentar
Nau ao fundo
Insistir
Não é uma guerra
E não existe na terra
Alguém que se declare
Ser teu inimigo
Então deixa
Tudo isso passa
Deixa