terça-feira, 30 de agosto de 2016

UM MALUCO A MENOS

Em 2005 Richard Pryor já havia desfalcado o mundo que aprendeu a rir das desgraças com o gênio do humor, o mestre dos mestres do stand-up comedy. Impossível não associar o seu nome ao de Gene Wilder, clássica dupla que tanto me fez rir com uma inteligência ímpar e uma forma de fazer parecer tão fácil a arte de rir.
O mundo é dos loucos e a normalidade é a arma do fraco para que padronizando a todos disfarce a sua covardia. Jerome Silberman, nome de batismo de Gene, não aceitou a mediocridade e mostrou através da gargalhada as chagas do nosso cotidiano.
Gratidão é tudo que posso sentir, obrigado por anos e anos de alegria. Que teu legado permita mas malucos em um mundo de torta normalidade.

sábado, 9 de julho de 2016

MÚSICA NA SALA

Apnéia é uma canção que nasceu para ser trilha sonora de um vídeo Desgarrou-se, criou personalidade própria e oferece colo aos ansiosos e apresados.
Tudo tem seu tempo, mas é preciso vivência e maturidade para aceitar o descontrole que é viver. Quase nada está em nossas mãos e a onipresença é um atributo divino. Aproveite o momento, não te resta uma alternativa, é isso ou isso.
Esta versão foi gravada para o projeto Música na Sala, criado por Fabio Ferreira que com suas palavras fala do projeto: "um desejo de anos que aos poucos foi se materializando. A vontade de unir dois interesses em um único trabalho/prazer/diversão finalmente tomou um formato e teve seu pontapé inicial. Me proporciona muito mais do que imaginei, expandi meus horizontes pessoais, conheci gente bacana, músicas legais e talentos que de outra forma possivelmente eu nunca teria encontrado.
Salve o Música na Sala!

quinta-feira, 7 de julho de 2016

EM CASO DE LUCIDEZ


A loucura ou insânia é, segundo a psicologia uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados anormais pela sociedade. Não fui eu quem disse, foi a Wikipédia. Tirem vossos olhos da tela e dêem uma bela olhada ao redor, discretamente por favor, não queremos chamar a atenção. Não sei aí, mas aqui eu não chamaria de normal o movimento dos 7 bilhões de bípedes que, por portarem um telencéfalo altamente desenvolvido, esquecem que são bichos e julgam-se deuses, ou ao menos imagem e semelhança de um. Comer, cagar, respirar, dormir, beber agua e foder, na tentativa de reduzir a escassez das suas necessidades básicas o bicho, ops, o deus, não, o homem criou, lapidou, construiu, dobrou, cortou, comprimiu, esticou o que pode e o que não pode para seu conforto e prazer, tornando as seis necessidades básicas zilhões de necessidades não tão nobres assim. Engordaram os abastados, definharam os necessitados. O homem corre, corre, corre e não tem tempo de se perguntar para onde. O homem morre, morre, morre e não tem tempo de se perguntar pelo que. Loucura é o pensamento dentro da caixa, é a gravata que estrangula o pescoço, é a moça que evita a rua escura, é o mendigo que come os restos dos cães de estimação e o bilionário que rouba 3 centavos em cada refeição de centenas de crianças pobres só para aumentar uma conta bancária com tantos zeros que um a mais ou a menos faz diferença nenhuma ao acordar pela manhã. Eu quero a pílula azul, não dá mais. A ignorância é uma dadiva, uma benção, um tesouro... em caso de lucidez, desta normal lucidez, "loucurem-me". 

domingo, 19 de junho de 2016

NÃO ABREVIE BEIJOS

-Bjo, bj, bjs,
-Abço, abç, abçs…

Em tempos de violência, articula-se muito bem para praguejar!

-Canalha! Imbecil! Otário!

-O ódio vende-se a kilo, o amor em grama!

-Bjo, bj, bjs,
-Abço, abç, abçs…

Na ânsia por mais tempo, mais vida, mais isso, mais aquilo… abreviamos para caber mais, para pegar mais, para correr mais e só nos sobra menos. 

- Abreviamos beijos, Bj. Abreviamos abraços, Abçs, mas completamos ofensas, com ponto, virgula, acento e muitas reticências. 

-O ódio vende-se a kilo, o amor em grama!

-Não é auto ajuda não amigo, é pura necessidade de completar o que por demais abreviou-se.
Não é conselho pra felicidade, é remédio pra bom humor, é cura pra essa dor que já nem se sabe se é dor de dente, de pé ou de alma, mas calma, calma que pra pressa sempre existiu cura.

-Respire fundo, inspire, expire e beije, abrace. Não corra pra ganhar a vida que a vida foi ganha no dia que "ocê" nasceu. Só corre quem quer abraçar a morte, quem quer viver a vida, vive.

-Faça o que te der no telhado, mas por favor eu te peço mais uma vez, não abrevie abraços, não abrevie beijos. 

domingo, 24 de abril de 2016

BORBOLETA

Aqui estamos nós, dando voltas no sol enquanto giramos em torno de nós mesmos e por necessidade ou falta do que fazer inventamos... calça, cadeira, tesoura, agulha, bicicleta, asa delta, binóculo, telefone, fotografia, tapete, chinelo, campainha, chupeta, violão, bigorna, escafandro, patinete, caneta, canções e reticências. E dessa necessidade insana nasceu Borboleta, e aqui temos Beto Chedid e Joana Reais temperando e improvisando.


domingo, 18 de outubro de 2015

MAQUINA DE FAZER MALUCO NO 512







































 Como contar uma história em três minutos e meia dúzia de acordes? A Máquina de Fazer Maluco diz o que todos já sabem, mas não cansam de ouvir; não inventa a roda, mas pinta ela com as cores do arco-íris enquanto chora alegrias e ri das desgraças. E já que de loucos todos temos um pouco, a Máquina só vem produzir mais alguns malucos para engrossar o caldo!


____


Romes Pinheiro: Voz, guitarra e ukulele
Ricardo Cordeiro: Guitarra e violão
Willian Strotttmann: Baixo
Dionísio Monteiro: Bateria

____


Romes Pinheiro, idealizador da Máquina de Fazer Maluco, é violonista, cantor, compositor, ator graduado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pós-graduado em Produção Teatral na Escola Superior de Teatro e Cinema da Universidade de Lisboa (Portugal). Filho de um músico amador, despertou o interesse pela música saltitando em cobertores na sala de casa no frio do inverno portalegrense ao som de Raul Seixas, Eliana Pittman, The Jackson 5 e alguns discos de música infantil que abasteciam o toca discos (artifício da mãe para manter seus três filhos entretidos). Não demorou para aproveitar a ausência do pai no horário laboral e experimentar seus instrumentos, o acordeon e o violão, optando pelo segundo.

____

O QUÊ? Espetáculo Máquina de Fazer Maluco
QUANDO? Dia 21 de Outubro às 22h
ONDE? Espaço Cultural 512 (João Alfredo, 512 - Cidade Baixa)
QUANTO? R$10
PORQUÊ? A pergunta certa seria: porque não?

____

O espetáculo é uma realização da Produtora Máquina de Fazer Maluco e da Outros 500 produções colaborativas e tem apoio da Dress it, da La Photo Galeria e Espaço Cultural, do estúdio Jean Pierre Kruze Photographer e da Graxaim Films.

Concepção e criação do cenário: Jean Pierre Kruze
Design: jrp
Fotos: Jean Pierre Kruze

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

SURREAL É O COTIDIANO #01

O último censo registrou 200 milhões de pobres injustiçados no grande país do futuro. (Minha mãe já está farta de me ouvir perguntar: "Já chegamos no futuro mãe? Ainda não!" Sempre ainda não.) Um especialista explica que o que acontece com o brasileiro é uma espécie de azar coletivo e, por mais que faça tudo certo, Dick Vigaristas aparecem na hora H e vai tudo por água abaixo, logo, a culpa é sempre de outrem.
Resolvi encontrar um culpado pelo meu saldo bancário, meu bicho de pé e minha dor de dente. Não encontrei espelho e achei meio brega essa moda de andar com dedo de seta a acusar todos por tudo.
Perguntei a uma distinta senhora o motivo dos ditos infortúnios de nossa república federativa e ela foi rápida como um pistoleiro do Sergio Leone: "OS POBRES!!!!" Não me convenceu. Pelas palavras dela, pobre não estuda, não se esforça e quer mais é viver na moleza e boa vida da sua imensa mansão de 2 metros quadrados sem saneamento básico. Pensei - por vezes cometo essa loucura neural - se pobre não estuda e não se esforça, não torna-se engenheiro. Se não são pobres os engenheiros responsáveis pelas obras de construção das estradas brasileiras, porque são tão ruins? Como os pobres conseguem induzir os engenheiros a cometerem tantas falhas? 
Perguntei a uma jovenzinha com ar pseudo intelectual, quem amarra nossa nação impedindo que chegue finalmente ao paraíso prometido?  "OS RICOS!!!" Disparou ela com uma certeza de dar inveja e, antes que eu movesse meio músculo para uma segunda pergunta, completou: "E O COMODISMO DA CLASSE MÉDIA!!!!" Fiz as contas: segundo os pobres, a classe média e os ricos, os cretinos que estão o f**** essa m**** toda são os pobres+a classe média+os ricos, só sobraram os miseráveis. Olho com uma culpa triste para o mendigo que dorme na marquise do prédio em frente e não é que ele tem um ar inocente? Não me parece ter votado nem em Dilma nem em Aécio, não especulou no mercado financeiro, no imobiliário e nem no banco imobiliário, pagou todos os impostos que devia e nunca vive acima das suas possibilidades. Taí, vou perguntar para ele de quem é a culpa. " A vida é assim amigo, não guardo mágoas nem procuro responsáveis pelos meus atos".  Uou!!!! Alguém devia prender esse homem, ele sabe demais.
Se eu ganhasse 1 dólar para cada vez que um brasileiro na terceira pessoa dissesse: "Sabe qual é o problema do brasileiro?"
Já vi culparem Pedro Álvares Cabral, só falta culparem Adão (os criacionistas) e Big Bang (os evolucionistas) e eu também tenho uma teoria: a culpa é dos índios que esconderam os espelhos que receberam em troca de ouro. Sem espelhos vai levar um longo tempo para encontrarmos o culpado, talvez uma selfie ajude.
Vou ligar pra minha mãe e perguntar se o futuro chega hoje que eu tenho planos de recebê-lo de banho tomado.